A recente “Agenda Brasil Mais Competitivo”, lançada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços/MDIC, reforça a mensagem que a competitividade do setor produtivo brasileiro não depende apenas de eficiência dentro da porteira ou da fábrica, mas também da qualidade das regras, da previsibilidade administrativa, do acesso aos insumos estratégicos, da fluidez logística e da capacidade do Estado de regular com segurança, sem impor custos desnecessários. Essa agenda do MDIC reúne 24 projetos prioritários voltados ao fortalecimento da competitividade da economia brasileira com potencial de gerar economia superior a R$ 340 bilhões por ano, através de medidas de fortalecimento do ambiente de negócios, transformação digital, inovação e sobretudo, melhoria regulatória e inserção internacional.
No dia 25 do mês passado, comemoramos o Dia do Trabalhador Rural, data em homenagem a todos os produtores, lavradores e trabalhadores que atuam no campo e, com técnica, coragem e fé, sustentam famílias e conhecem o peso de decidir antes do sol nascer, plantar sem controlar a chuva e investir sem controlar o mercado. Falar desse agro em perspectiva espiritual não é romantizar o setor nem esconder seus desafios, e sim reconhecer que produzir alimento é uma das formas mais concretas de servir ao próximo, uma vez que na retaguarda de cada safra, rebanho, máquina, pesquisa, carga transportada e contrato firmado há gente trabalhando diante de Deus, administrando recursos, gerando renda, desenvolvimento e esperança.
O Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal – Sindirações promoveu, na quinta-feira, 28 de maio, no auditório da FIESP, em São Paulo, a palestra “Impacto da Reforma Tributária na Indústria de Alimentação Animal: objetivos econômicos, políticos e design jurídico”. O evento reuniu associados para uma análise aprofundada das transformações trazidas pela Emenda Constitucional 132/23 e pela Lei Complementar 214/25. O conferencista foi o Prof. Dr. Eurico Marcos Diniz de Santi, coautor da Proposta de Emenda à Constituição nº 45 e uma das maiores referências jurídicas e intelectuais do país na interpretação e consolidação do novo modelo tributário brasileiro.
Os relatórios internacionais publicados em abril passado revelaram cenário favorável para 2025/26, já que a oferta global de grãos tende a se recompor e afastar o aperto observado em ciclos anteriores. Respectivamente, o GMR 575 do International Grains Council/IGC e o WASDE 670 do United States Department of Agriculture/USDA, projetaram produção de 2,5 e 3 bilhões de toneladas e estoques finais de aproximadamente 640 e 800 milhões de toneladas. Não obstante à diferença apurada e decorrente da abordagem aplicada (USDA inclui arroz beneficiado), o abastecimento global aponta melhora, muito embora a eliminação total de incertezas revela-se impossível, já que risco zero é utópico.
A escalada das tensões no Oriente Médio e as interrupções em rotas estratégicas como o Estreito de Ormuz (estabelece acesso entre o Golfo Pérsico e o Mar Arábico) e, potencialmente a via marítima “Bab el-Mandeb” (elo de ligação ao Mar Vermelho que facilita acesso ao Canal de Suez e consequentemente ao Mar Mediterrâneo), reacendem preocupações sobre a resiliência das cadeias globais de suprimento e ampliam o potencial de um choque simultâneo sobre custos, logística e oferta, já que através desses corredores transita parcela relevante do comércio mundial de petróleo, gás natural, fertilizantes e alimentos. Em 2025, os embarques do agronegócio brasileiro para aquela região somaram US$ 12,4 bilhões (29% de toda pauta exportadora de carne de frango e 6,5% de carne bovina, além de milho, açúcar, etc.),
A produção brasileira de rações e suplementos apresentou recuperação consistente no biênio 2024–2025, refletindo melhora nos custos dos principais insumos, maior previsibilidade econômica e retomada gradual do ciclo pecuário. Em 2024, o setor totalizou aproximadamente 91 milhões de toneladas, enquanto em 2025, o volume avançou para cerca de 94 milhões de toneladas, crescimento de mais de 3%. Para 2026, a estimativa aponta para 97 milhões de toneladas consolidando trajetória de expansão moderada. Na avicultura de corte, a produção de rações evoluiu de 36,9 milhões de toneladas em 2024 para 37,85 milhões em 2025 (+2,5%). Dados preliminares do IBGE indicam que o abate de frangos cresceu 2,9% em 2025, confirmando o alinhamento entre desempenho industrial e demanda por nutrição.
A relação histórica do Brasil com a Europa sempre foi marcada por assimetrias estruturais que remontam ao período colonial e seguem influenciando a inserção do país no comércio internacional. A especialização produtiva em bens primários consolidou, ao longo do tempo, uma posição periférica nas cadeias globais de valor, com reflexos persistentes sobre o desenvolvimento industrial e tecnológico. No ano passado, a corrente de comércio entre o Brasil e a União Europeia superou 100 bilhões de dólares, muito embora o déficit brasileiro contabilizou cerca de 500 milhões de dólares (segundo SECEX, UM/Comtrade e Banco Mundial).
O Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal – Sindirações anuncia a entrada de duas novas empresas associadas, ampliando a representatividade da entidade e fortalecendo sua atuação em prol da inovação, qualidade e sustentabilidade no setor de alimentação animal no Brasil. As novas integrantes são a Virbac do Brasil e a ZooProfit Animal Nutrition. “A chegada dessas duas empresas demonstra a força e a diversidade do nosso setor. Cada uma delas traz uma contribuição única em tecnologia, inovação e compromisso com a qualidade. Estamos confiantes de que essa integração fortalecerá ainda mais a representatividade do Sindirações e ampliará nossa capacidade de apoiar o desenvolvimento sustentável da indústria de alimentação animal no Brasil”, destaca Ariovaldo Zani, CEO do Sindirações.
Em um ano marcado por pressões sanitárias, instabilidades geopolíticas, mudanças regulatórias profundas e crescente demanda global por proteína animal, a indústria brasileira de alimentação animal manteve ritmo de expansão e reforçou sua resiliência. Para entender como o setor atravessou 2025 – da adaptação ao novo Decreto da Alimentação Animal ao impacto do tarifaço norte-americano – e o que esperar para 2026, conversamos com Ariovaldo Zani, médico-veterinário, CEO do Sindirações e um dos nomes mais influentes na agenda de sustentabilidade e insumos agropecuários do país. A seguir, Zani analisa desempenho, custos, inovações, riscos climáticos e regulatórios e projeta os desafios que devem moldar o futuro da nutrição animal no Brasil.
De janeiro a setembro, a indústria de alimentação animal brasileira produziu 66,5 milhões de toneladas de rações, crescimento de 2,0% em relação ao mesmo período de 2024, enquanto a previsão é totalizar quase 90 milhões de toneladas (exceto suplementos minerais) durante o ano de 2025 e avançar 2,8% sobre o montante apurado no ano passado. A avicultura de corte demandou 28 milhões de toneladas de rações até setembro e manteve estabilidade apesar dos embargos sanitários vinculados à influenza aviária. As projeções da Associação Brasileira de Proteína Animal/ABPA indicam produção superior a 15 milhões de toneladas de carne de frango durante o ano corrente,