O PIB brasileiro em 2025 deve avançar 2,2% (Banco Central do Brasil/Focus – Relatório de Mercados de 13/06/25), movimento atribuído principalmente à agropecuária e ao consumo interno apoiado no mercado de trabalho aquecido, apesar do cenário continuar apontando para desaceleração no ritmo dos serviços e da indústria de transformação, prejudicados pela alta taxa de juros e as incertezas externas (guerra tarifária e conflitos geopolíticos).
Conforme estudos do Cepea/Esalq-USP e CNA, o PIB do Agronegócio avançou 3,2% no ano passado e contribuiu com 23,5% de todos os bens produzidos no Brasil. A indústria de alimentação animal, coincidentemente, avançou na mesma proporção e consumiu matérias-primas para produção de rações, concentrados, núcleos, premixes e suplementos que resultaram na movimentação financeira de aproximadamente R$ 160 bilhões, dos quais, U$ 2 bilhões (à taxa média de câmbio R$ 5,40) desembolsados na importação de aditivos nutricionais, zootécnicos, tecnológicos e sensoriais.
Mais recentemente, durante o primeiro trimestre de 2025, a apuração do indicador/PIB Cepea revelou incremento de 6,49%, graças aos ramos agrícola e pecuário que cresceram 5,59% e 8,50%, respectivamente. Nesse período quando comparado ao mesmo trimestre do ano passado, o IBGE ratificou o dinamismo da atividade AGROPECUÁRIA cravando invejável avanço de 12,2%, enquanto o segmento de SERVIÇOS 0,3% e a INDÚSTRIA estabilidade.
Segundo o CEPEA, na comparação entre os primeiros trimestres de 2025 e 2024, a indústria de rações apresentou uma projeção de queda de 14,11% no valor bruto de produção, refletindo uma redução de 17,57% nos preços reais e, consequentemente algum alívio nas margens de contribuição, principalmente da suinocultura, bovinocultura de corte e de leite, favorecidas também por melhores preços alcançados.
De acordo com o Sindirações, de janeiro a março do corrente ano, o custo hipotético das rações para aves e suínos avançou 5%, ajuste principalmente modulado pelo milho que subiu 22% e o farelo de soja que retrocedeu 9% (preços praticados no interior de SP), afora a valorização de quase 4% do dólar americano.
A extrapolação dos indicadores apurados pelo Cepea/CNA no primeiro trimestre permite projetar incremento superior à 6 p.p. no PIB do Agronegócio e participação de 29,4% (R$ 3,79 trilhões) no fluxo total de novos bens e serviços finais gerados ao longo de 2025.
A cadeia produtiva de alimentos para animais, por sua vez, deve avançar 3%, ao longo do ano e somar aproximadamente 94 milhões de toneladas, embora a suspensão temporária das importações de carne de frango (por causa do foco de influência aviária de alta patogenicidade detectado em maio e controlado em município do Rio Grande do Sul) possa se estender e diminuir parte da demanda das rações, apesar da rápida e eficiente resposta sanitária e do pronto restabelecimento do status de país livre da doença.
Em meio a um cenário econômico marcado por contrastes entre setores, a força do agronegócio segue como pilar essencial do crescimento nacional e reforça sua resiliência diante dos conhecidos desafios estruturais e daqueles imprevistos conjunturais.
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Fonte: Revista feed&food
