O destino do nosso planeta exige que ciência, inovação, biologia e agricultura dialoguem em harmonia. O Brasil, potência agroambiental, encontra-se diante de um dilema crucial: ser VITRINE de soluções sustentáveis ou tornar-se VIDRAÇA, exposto a críticas e pressões internacionais.
Albert Einstein lembraria que “o mundo não será destruído por aqueles que fazem o mal, mas por aqueles que observam sem nada fazer”, ou seja, cada ação humana está interligada a uma teia maior, e nossa responsabilidade ética é garantir às próximas gerações o usufruto dos recursos que hoje possuímos.
Steve Jobs complementaria que “a inovação distingue um líder de um seguidor” e somente com criatividade e disrupção dos velhos padrões conseguiremos redesenhar sistemas produtivos e a inovação esteja a serviço não apenas da eficiência econômica, mas também da regeneração ambiental.
Charles Darwin nos recordaria que “não é a espécie mais forte que sobrevive, nem a mais inteligente, mas a que melhor se adapta às mudanças”, enfatizando que as espécies e as sociedades sobrevivem não pela força, mas pela capacidade de adaptação.
Finalmente, Norman Borlaug, pai da Revolução Verde, arremataria com realismo “não se constrói a paz com estômagos vazios”, explicitando que sem segurança alimentar, não há paz, justiça social ou sustentabilidade.
Diante da crise climática, essas reflexões contextualizam o paradoxo de um Brasil bem ranqueado nos palanques da causa e da solução. Tal como indústrias, transportes e a matriz energética fóssil, a agricultura faz parte do conjunto de atividades antropogênicas que impulsionam o aquecimento global. Porém, diferentemente da caricatura negativa muitas vezes projetada, a agropecuária brasileira há tempo se engajou em práticas sustentáveis, tais como a produção de biocombustíveis renováveis, a recuperação de pastagens degradadas, a integração lavoura-pecuária-floresta, a regularização ambiental e o reflorestamento.
Esses avanços tornaram o país vitrine mundial de soluções agrícolas tropicais, conquanto o compromisso firmado na COP 26 de reduzir em 30% as emissões de metano até 2030 expõem a pecuária ao amplo escrutínio internacional.
A fermentação entérica dos ruminantes, fator relevante dessas emissões, tornou-se alvo de políticas de mitigação, mesmo diante da complexidade de sistemas produtivos diversos e da realidade socioeconômica de países em desenvolvimento. O risco é o Brasil transformar-se em vidraça, pressionado por regras que, em muitos casos, mascaram disputas comerciais e protecionismo e faz emergir o binômio mitigação e adaptação como chave da transição.
A mitigação implica, por exemplo, reduzir emissões por meio da nutrição balanceada, sistemas integrados de produção e aditivos que alteram a microbiota ruminal com potencial de cortar em até 30% a emissão relativa de metano, enquanto que a adaptação diante de estiagens severas, enchentes recorrentes e novas pressões sobre cultivos e rebanhos depende da adoção de práticas que aumentem a eficiência e reduzam vulnerabilidades climáticas.
A mitigação que cuida do futuro do planeta e a adaptação que assegura a sobrevivência da sociedade que o habitará formam um alicerce para que o Brasil mantenha seu protagonismo como fornecedor confiável de alimentos, fibras e energia limpa através de políticas climáticas descoladas dos erros da modelagem da transição energética global, abatida pela inflação e pelos choques de oferta.
Ao invés de se deixar submeter à pecha de exterminador ambiental, o Brasil detém legitimidade suficiente para transformar essas vantagens comparativas em liderança incontestável e mostrar suas soluções ao mundo durante a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas/COP30, a ser presidida pelo governo Brasileiro em Belém, no coração da Amazônia. Caberá, portanto, à nós brasileiros – governos, setor produtivo e sociedade civil – escolher ser inspiradora VITRINE protagonista ou apenas frágil VIDRAÇA vulnerável aos ataques e cobranças.
Tomara a ciência nos guie, a inovação nos inspire, a adaptação nos fortaleça e a agricultura nos sustente. Assim, poderemos legar às futuras gerações não apenas um planeta habitável, mas um mundo mais justo, resiliente e pleno de vida.
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Fonte: Revista feed&food
