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05/07/2013
Carne e osso…duros de roer!
Fonte: Revista Feed&Food - Edição de Julho / 2013

De acordo com  o “Food Outlook” da FAO, a produção mundial das carnes em geral (bovina, suína, ovina e de aves), poderá alcançar 308,2 milhões de toneladas em 2013, um avanço de apenas 1,4% originado principalmente nos países em desenvolvimento que representam os principais polos da demanda. Embora a continuada tendência de alívio nos preços do milho e farelo de soja venha sendo apurada desde o segundo semestre do ano passado, os produtores parecem ainda continuar pressionados pelo custo da alimentação animal posicionado em patamar historicamente elevado e capaz de modular o Índice de Preço das Carnes, cuja média alcançou 179 pontos em Maio.

ÍNDICE DE PREÇOS DA FAO

Adaptado Sindirações

Por sua vez, o preço médio das exportações de carne bovina encontra-se estabilizado, enquanto aumenta apenas marginalmente no caso das carnes suína e de aves, reflexo provável das transações globais que flagrantemente seguem ritmo mais lento que nos últimos anos. Essa configuração firma-se no confortável estoque doméstico dos países tradicionalmente importadores e na produção reduzida dos principais fornecedores que devem incrementar em apenas 1,1% as exportações de carnes e comercializar 30,2 milhões de toneladas.

PRODUÇÃO E COMÉRCIO INTERNACIONAL

* Estimativa | ** Previsão | Fonte: FAO, adaptado Sindirações

 A despeito dos surtos de influenza e ainda de certa maneira pressionada pelo custo da alimentação animal, a produção de carne de aves continua crescendo e pode alcançar 106 milhões de toneladas em 2013, um aumento de 1,8% na produção. Sua vantagem competitiva, frente às carnes bovina e suína, sustenta o avanço da produção tanto em países em desenvolvimento, quanto nos desenvolvidos. A China, que em alguns anos pode até tornar-se líder global na produção de carne de aves, continua com sua produção estagnada por causa da desconfiança dos consumidores, pós surto de influenza aviária no início do ano. Ao contrário, nos Estados Unidos é esperado crescimento de 1,6% na produção que se recuperou da crise de 2012, além do otimismo gerado pelos melhores preços pagos aos produtores, simultâneos à redução no custo da alimentação animal. Indicadores apontam certa recuperação  na União Europeia, no Brasil e na Rússia, enquanto é sustentável afirmar que na Índia a produção de carne de aves pode crescer até 8%.

PREVISÃO DE CRESCIMENTO DA CARNE DE AVES (milhões toneladas)

Fonte: OECE-FAO Agricultural Outlook 2011/2020, Adaptado Sindirações

Considerada  mais refratária às restrições de costumes e religiões e pela sua praticidade no preparo, a carne de aves é aquela mais negociada globalmente, representando aproximadamente 45% por cento do comércio mundial, e embora essa quantidade tenha dobrado ao longo da última década, o crescimento continua estagnado desde 2010. Esse marasmo deve prevalecer  durante 2013 com avanço previsto de apenas 1,5%, baseado nas transações de 13,3 milhões de toneladas. A principal região importadora é a Ásia que pode demandar 0,6% mais, devido ao maior interesse da Arábia Saudita, Vietnã, Iraque, Emirados Árabes Unidos e Cazaquistão. Por outro lado, a Coréia do Sul e o Japão, já bastante abastecidos podem esfriar o ímpeto importador, também pressionado pelas preocupações dos chineses que diminuíram o consumo, desconfiados com a gripe aviária. Ao contrário, o continente africano promete vigoroso crescimento que pode avançar 6% durante o ano corrente e baseado no consumo aumentado no Egito, cujos consumidores tem sofrido com a inflação que se abateu sobre a carne bovina, pós-surto de febre aftosa. É importante alertar que por conta do acelerado crescimento da produção doméstica, as importações russas caíram pela metade daquelas apuradas em meados da década passada e devem render apenas marginalmente por causa de alguns acordos comerciais locais, além da União Europeia, que pelo mesmo motivo, também vem demonstrando interesse reduzido nas compras. Nos últimos anos, o Brasil, Estados Unidos e União Europeia, apesar de ainda suprirem quase três quartos do comércio global, continuam perdendo competitividade diante da pouca expansão nas vendas, enquanto o desempenho exportador tem se concentrado na Tailândia, Argentina, Turquia, Ucrânia, dentre outros. Dessa forma, o comércio de carne de aves em 2013 deve ressentir-se das exportações restringidas pela esfriada demanda e reduzida lucratividade.

ÍNDICES DE PREÇOS – RAÇÃO E FRANGO VIVO (Brasil)

Fonte: Sindirações

Apesar da produção de carne suína prometer somar 114,2 milhões de toneladas, o modesto avanço de 1,5% em 2013 demonstra menor vigor do que aquele verificado no ano anterior, provavelmente por causa dos estoques abundantes que pressionaram os preços do animal vivo e o abate acentuado pelo custo inflacionado da alimentação animal. Flagrantemente o adicional disponível deverá se concentrar nos países em desenvolvimento, já responsáveis por dois terços da carne suína produzida, enquanto a previsão para o mundo desenvolvido é de ligeiro declínio. A Ásia, por exemplo, responde por quase 60% da produção global de carne suína, e continua dinamizada pelas políticas de incentivo do governo Chinês para atendimento do consumo crescente que já atinge 53,8 milhões toneladas. O Brasil que ocupa a quarta posição no ranking dos produtores globais, ainda pode vislumbrar sua produção aumentada e continuar estimulada pelos melhores preços que tem sido pagos aos produtores nesses primeiros meses de 2013. Por sua vez, a União Europeia, ranqueada segundo maior polo produtor, deve amargar retrocesso de 2% e ofertar 22,4 milhões de toneladas, por causa dos  complexos requisitos voltados ao bem estar animal e alojamento das reprodutoras. Também se torna importante revelar que a produção de carne suína na Rússia pode avançar até 4% nesse ano por causa dos incentivos públicos canalizados às linhas de grande escala e ao arrefecimento dos preços da alimentação animal.

PREVISÃO DE CRESCIMENTO DA CARNE SUÍNA (milhões toneladas)

Fonte: OECE-FAO Agricultural Outlook 2011/2020, Adaptado Sindirações

As transações globais com carne suína podem declinar 4% por causa do esfriamento na demanda dos principais importadores e somar 7,2 milhões de toneladas, influenciadas principalmente pelos países asiáticos que devem importar 6% menos em 2013 e estagnadas na China, Rússia, México, Estados Unidos e Canadá, cujos pedidos devem seguir no mesmo ritmo do ano passado.

ÍNDICES DE PREÇOS – RAÇÃO E SUÍNO VIVO (Brasil)

Fonte: Sindirações

No caso da carne bovina, a oferta global poderá alcançar 68,1 milhões de toneladas e adicionar mais 0,7%, puxada principalmente por países em desenvolvimento que já representam 60% da demanda, ao mesmo tempo que a produção no mundo desenvolvido continua padecendo dos efeitos retardados das alterações climáticas que afetaram as safras de cereais e oleaginosas no ano passado. Os Estados Unidos, maior produtor mundial, poderá contabilizar contração de até 3% por causa da diminuição dos abates e menor oferta de bezerros, fatores impactados pelo custo dos concentrados, conforme mencionado anteriormente. O Brasil, por sua vez, ocupa a segunda posição no ranking global e sua produção de carne bovina, incentivada pela demanda internacional fortalecida, poderá alcançar 9,5 milhões de toneladas, sustentada, inclusive, por melhores condições de manejo e pastagens. Já a produção da União Europeia deverá atingir 7,6 milhões de toneladas com queda de 0,5%, embora a magnitude do recuo aponte para a desaceleração do declínio, quando comparada ao retrocesso de 4% contabilizados em 2012.

PREVISÃO DE CRESCIMENTO DA CARNE BOVINA (milhões toneladas)

Fonte: OECE-FAO Agricultural Outlook 2011/2020, Adaptado Sindirações

Embora nos últimos dois anos o preço da carne bovina tenha encarecido e se posicionado nos mais elevados patamares das últimas duas décadas, seu desempenho comercial demonstrou vigor em 2012 e continuará avançando em 2013 puxado por exportações internacionais de 8,6 milhões de toneladas e expansão de 4%. O impulso é favorecido pela escassa oferta doméstica de inúmeros países, dentre eles os Estados Unidos, o Canadá, Japão, Malásia, Vietnã e a China, onde a demanda pode subir 20% mais que no ano passado por causa da substituição do frango por carne bovina, após o surto de gripe aviária. Na contramão, a Coréia do Sul, bastante abastecida, e a Rússia com oferta doméstica aumentada, importarão menos no corrente ano, enquanto prevalece a estabilidade na União Europeia, ainda economicamente bastante fragilizada. Apesar de ainda não competir pelos consumidores da carne brasileira, é importante atentar para a evolução das exportações de carne de búfalo da Índia, destinadas principalmente ao Vietnã e Malásia. No ano corrente as exportações indianas podem alcançar 1,6 milhão de toneladas e avançar 15%, enquanto o crescimento previsto para os embarques brasileiros é de 6% e no caso da Austrália algo em torno de 4%.

PREVISÃO DO CONSUMO CARNE/PER CAPITA (2011 a 2020)

Fonte: OECE-FAO Agricultural Outlook 2011/2020

As cadeias produtivas consumirão mais milho, farelo de soja e trigo, dentre outros insumos, contudo os indicadores apontam que a oferta geral de cereais e oleaginosas da safra 2013/2014 deve contribuir na reposição dos estoques comprometidos nos últimos anos e abastecer seguramente a demanda. Apostemos agora na flexibilização dos preços globais das proteínas de origem animal no decorrer do ano.

Ariovaldo Zani é médico veterinário | arizanni@uol.com.br

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