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14/03/2019
Parabéns às mulheres do agronegócio
Fonte: Vitrine Agro - Revista feed&food - 03/19

“Analisando o perfil das mulheres que atuam no agronegócio, os pesquisadores do CEPEA identificaram elementos relevantes, tais como o aumento de empregos com carteira assinada, uma maior qualificação e autonomia entre as trabalhadora”

Tratar sobre a presença feminina no mercado de trabalho é, na maioria das vezes, um tipo de análise complexa e polêmica em determinados pontos. A história brasileira evidencia as tensões e os conflitos, que envolveram – ao longo do tempo – a entrada das mulheres nos diversos postos de trabalho, assim como em que condições de emprego elas se estabeleceram. Nesse artigo, em um primeiro momento, partiremos de uma escala mais geral que abrange todos os setores profissionais, analisando a posição da mulher nesses locais, a fim de chegar – no segundo momento – no campo referente ao agronegócio, procurando compreender como a força de trabalho feminina adentrou e se firmou nesse setor.

Para a exposição histórica do tema, utilizamos como base o importante estudo, “As mulheres e o mercado de trabalho”, elaborado pelo Instituto de Economia da Unicamp. Logo no início, os pesquisadores José Krein e Eugenia Leone levantam uma importante questão: a persistência do colonialismo nas relações de trabalho, especialmente, nas quais a mulher esteve e está presente.

No final do século XIX, a mão de obra passou a ser livre, encerrando o sistema escravista no Brasil. Essa mudança fez com que os postos de trabalho se alargassem, recrudescendo o número de trabalhadores e trabalhadoras nos mais variados tipos de emprego.

Inicia o século XX e mesmo com o forte avanço da urbanização, bem como o intenso processo de industrialização, mudanças significativas e determinantes não são observadas no lado feminino da força de trabalho brasileira. Um dos elementos socioculturais referentes ao período colonial, que se manteve bem presente no Brasil Republicano, expressou-se na elaboração das diferentes partes do corpo social segundo critérios distintos de gênero, tais como a divisão do mercado de trabalho entre os cargos destinados preferencialmente aos homens, assim como às mulheres.

Nos anos 60, com a continuidade da expansão industrial, os centros urbanos, ricos e prósperos, passavam a receber cada vez mais migrantes esperançosos em conquistar uma vaga no mercado de trabalho. Iniciava-se um acentuado processo de êxodo rural, em que uma quantidade enorme de pessoas buscava – diariamente – encontrar um emprego e melhorar de vida.

Enquanto os homens ocupavam os diversos postos da estrutura produtiva, as mulheres foram se posicionando no setor terciário da economia brasileira, especificamente, nos setores ligados ao pequeno comércio, aos serviços pessoais e ao trabalho doméstico.

Entretanto, com a chegada dos anos 70, a situação da mulher no mercado de trabalho começa a mudar. Produto das reivindicações dos movimentos sociais dos anos 60 (em especial, o histórico maio de 1968), o Brasil e o mundo em geral foram sacudidos por novas ideias culturais e progressistas, especificamente, no campo referente à luta e aos direitos das mulheres.

Na virada do século XX ao XXI, uma série de transformações socioculturais ocorreram no Brasil, dentre as quais uma das mais importantes foi o aumento da participação feminina no mercado de trabalho (embora ainda esteja distante do ideal). Em particular, o agronegócio e a agropecuária em geral, têm recebido um crescente contingente de mulheres em seus postos de trabalho.

Analisando o perfil das mulheres que atuam no agronegócio, os pesquisadores do CEPEA identificaram elementos relevantes, tais como o aumento de empregos com carteira assinada, uma maior qualificação e autonomia entre as trabalhadoras, entre outras características importantes compartilhadas pela força de trabalho feminina. De acordo com a pesquisa “Mulheres do Agronegócio” de 2018:

“Primeiramente, avaliando as posições na ocupação e categorias de emprego, verifica-se que o aumento da participa­ção feminina no agronegócio ocorreu sobretudo na categoria de empregadas com carteira de trabalho assinada, principalmente entre 2009 e 2013 (…). Essa informa­ção é muito relevante principalmente dado o perfil do agronegócio como um todo, marcado por um nível de informalidade mais alto que o médio da economia.  Complementarmente, a participa­ção dos empregos sem carteira assinada no total das mulheres ocupadas no agronegó­cio caiu consistentemente no período, prin­cipalmente a partir de 2008. Entre 2012 e 2015, verificou-se também um aumento na participação das mulheres atuando por conta própria no agronegócio (…). Vale destacar que o grau de formalização da mão de obra feminina empregada no agrone­gócio evoluiu de maneira mais intensa que o da economia brasileira entre os anos de 2008 a 2012, embora, para o País como um todo, essa tendência também tenha sido verifica­da.”

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Ariovaldo Zani, médico veterinário, MBA – Professor MBA/PECEGE/ESALQ/USP – arizanni@uol.com.br / Gabriel Zani, historiador – gabzanni@uol.com.br

A Revista feed&food nº143 foi lançada justamente no Dia Internacional da Mulher, clique aqui para leitura completa.

 

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