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13/10/2015
A inflação aleija, mas o câmbio mata
Fonte: Revista feed&food - Ed. Out/2015

O cenário embasado no último relatório do USDA (World Agricultural Supply and Demand Estimates, September 2015) continua alentador, baseado nos indicadores revisados que apontam para a safra global 2015/2016, no caso do milho (produção de 978,1 milhões de toneladas e estoque e passagem de 189,7 milhões de toneladas) e farelo de soja (produção de 214,2 milhões de toneladas e estoque de passagem de 11 milhões de toneladas), capaz de contribuir para reposição dos estoques comprometidos nos últimos anos e suprir generosamente a demanda das cadeias consumidoras globais.

Por sua vez, o alívio no custo global da alimentação animal e humana pode ser conferido pela variação anual no índice médio apurado pela FAO (Food Price Index, September 2015), acumulado até agosto passado, cuja marca revela retrocesso da ordem de 21,5 p.p. (198,3 pontos em agosto/2014 e 155,7 pontos em agosto/2015).

O desdobramento nas várias commodities demonstra que os “cereais” (milho entra no cálculo) recuaram 15,1 p.p. (182,5 pontos em agosto/2014 e 154,9 pontos em agosto/2015) e os “óleos vegetais” (soja entra no cálculo) retrocederam 19 p.p. (166,6 pontos em agosto de 2014 contra 134,9 pontos em agosto/2015).

No Brasil, contudo, a tendência tem seguido sentido inverso, por causa da valorização doméstica dessas commodities, efeito turbinado pela alta do dólar frente ao Real, moeda que mais volatilizou, desde então, à exceção do rublo russo.

Já em relação às transações internacionais, apesar do flagrante e substancial recuo na corrente comercial externa, a alta do dólar melhorou o desempenho da balança brasileira.

As companhias agroindustriais e integradoras, exportadoras de farelo de soja, milho e carnes, por exemplo, tem sido, sobretudo, favorecida pela desvalorização cambial que compensa parte da queda dos preços internacionais das diversas commodities, apesar do imediato impacto negativo naquelas alavancadas.

De acordo com os dados do USDA Market News, de janeiro (U$ 379,04) a agosto (U$ 370,41) do ano corrente, a cotação em dólar do farelo recuou mais de 2 p.p., no entanto, o preço praticado no Brasil já subiu quase 30% (R$ R$ 1297,28 em agosto contra 998,22 em janeiro), catapultado inclusive pelo grão de soja brasileiro importado pela China, que no acumulado do ano, já importou aproximadamente 28 milhões de toneladas (crescimento de mais de 10%), enquanto a colheita nos Estados Unidos em fase inicial só adentrará àquele país do Oriente nos meses vindouros.

No mesmo período, o preço do milho retrocedeu quase 7 p.p. em dólares (U$ 162,74 em agosto contra U$ 174,71 em janeiro, segundo USDA Market News), embora tenha avançado aproximadamente 4 p.p. em Reais (R$ 490,33 em agosto contra R$ 472,00 em janeiro, de acordo com Jox). Mesmo diante de grande disponibilidade interna, os preços domésticos continuam tendendo para cima, motivados pela exportação e contínua desvalorização da moeda brasileira, muito embora a meta de exportação de milho durante 2015 dificilmente será alcançada, por conta do ritmo atualmente verificado e a concorrência americana premiada com sua terceira maior produção em todos os tempos.

Além dos insumos já mencionados anteriormente, a cadeia produtiva de proteína animal também depende de suprimento externo dos aditivos moduladores da produtividade zootécnica que compõem as pré-misturas, à exemplo da agricultura que importa fertilizantes e defensivos agrícolas, insumos cujos preços indexados à moeda de troca global, demandam cada vez mais Reais desvalorizados para saldar os pedidos cotados na moeda de troca internacional.

É indiscutível que o câmbio valorizado acaba por subsidiar a importação e taxar a exportação, com efeitos deletérios sobre a produção doméstica e aprofundamento do déficit em conta corrente, no entanto a desvalorização nesse ritmo tão veloz e a volatilidade acentuada, aumentam o custo e pressionam a inflação (pass-through), hipoteticamente provocando forte deterioração dos balanços das empresas com passivo comercial e/ou financeiro externos, conforme alertado anteriormente.

O Real fraco e a volatilidade tornam mais vulneráveis as empresas que comercializam predominantemente ou exclusivamente seus produtos no recessivo mercado local, caso dos muitos produtores independentes de frangos, ovos, suínos, leite, etc., ávidos por crédito e capital de giro necessários ao pagamento de insumos e energia elétrica mais caros e maior incidência de impostos.

Os realistas bem informados percebem que esse ambiente deve continuar turbulento por causa do iminente enxugamento dos estímulos monetários anunciado pelo Federal Reserve/Banco Central Americano, provocando uma desvalorização ainda mais forte nas moedas dos emergentes e severa correção nas bolsas e nos juros pagos pelos títulos públicos, além de afetar as perspectivas futuras de crescimento, principalmente do Brasil e outros países predominantemente exportadores de commodities.

O efeito do dólar nos preços brasileiros continuará pressionando a inflação, exigindo mais juros e gerando mais dívida, embora essa depreciação acentuada tenha origem na desconfiança em relação às contas pública, uma vez que o Governo não consegue convencer o mercado da sua capacidade de promover o devido ajuste fiscal.

O ex-presidente do Banco Central Americano, Alan Greespan sentenciou: “O câmbio é uma variável inventada por Deus para desmoralizar os economistas”.

Graças a Deus, sou médico veterinário!

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